Nossa Senhora: fake news ou reparação histórica?
Dizem que o povo brasileiro tem memória curta. Se o político brasileiro vem do povo brasileiro, logo ele também teria memória curta?
A chamada “mamadeira de piroka” foi uma desinformação eleitoral disseminada nas redes sociais durante a campanha presidencial de 2018. A mentira associava um brinquedo erótico à suposta distribuição de material pelo PT e por Fernando Haddad em creches, como parte de um alegado “kit gay”.
A origem da fake news veio da interpretação dada pela direita e pela extrema direita ao debate sobre a adoção de uma política pública de educação e prevenção à homofobia nas escolas.
Estamos em 2026 e, ao que parece, alguém interpretou que um projeto de lei, recusado e arquivado em 2008, que pretendia retirar de Nossa Senhora de Aparecida o status de padroeira do Brasil, voltou ao debate e estaria na mesa de negociação entre um dos candidatos e os líderes evangélicos.
Os casos, em sua raiz, são parecidos. Assim como a esquerda, de fato, debate há anos o combate à homofobia nas escolas desde cedo, pastores evangélicos há anos atacam os símbolos do catolicismo. Há, no entanto, duas diferenças importantes.
Embora não haja provas de que tenha sido tema de campanha, a ideia de Nossa Senhora ser padroeira só dos católicos de fato existiu, foi cancelada, mas antrs disso foi documentada. A outra é que não temos no Congresso uma autointitulada bancada católica cada vez mais forte, como temos de evangélicos.






