Eu, espaço e tempo


Eu, espaço e tempo

Dezembro, tempo de reflexões e análise, avaliamos as sensações, sensibilidade e a teia de relacionamentos, a evolução e mutações no espaço social no decorrer do mestre (o tempo) que vemos passar; assim vislumbramos o ideal, vivemos o real, visualizamos o concreto e imaginamos o abstrato.

Finda-se a década de 70 e iniciam-se os anos 80, aporto em Teresina, oriundo da pequena Coelho Neto – MA. A educação me fez transpor o Parnaíba, vez que sou filho de terras que suas águas nutrem.

Travamos batalhas e, com as digitais dos vencedores, buscamos pelo conhecimento uma maneira distinta de sentir e conhecer o mundo que adentramos.

O olhar provinciano a enxergar uma cidade pujante, onde a modernidade já é real; avanços tecnológicos nas áreas da comunicação, saúde, na educação e cultural. Assistimos a uma “revolução copernicana”, o homem trazendo para si a responsabilidade do conhecimento, como marco o alavancar da Universidade Federal do Piauí e as ideias além-fronteiras de nossos escritores e artistas. Avanços em meio à modernidade e despersonalização, buscávamos a autoconsciência.

Teresina da minha chegada olha o Parnaíba; o comércio na Maranhão vivia seu apogeu; a Bandeira, com seu marco de fundação, é por amparo vigiada; os estabelecimentos centrais a fervilhar — Paraíba, Esplanada, Piauí, Abreu, Pernambucanas, Juçara e Ocapana a vestir corpos, Lucimar e Iracema para os pés. Espaço vivenciado e de aprendizado, seguimos…

A educação me permitiu o caminhar a passo largo e me inseriu no cotidiano da cidade: trabalho, estudo, espaços culturais e lutas por justiça social. Somos agentes da transformação, lutando por ideais para torná-los reais.

Edifica-se o homem pelo conhecimento; a cidade verticaliza, avanços em tecnologias transformando profissões e seres humanos em redes a ampliar horizontes, o abstrato e concreto em confluência.

A cidade cresce, o clima aquece e o tempo urge; seres humanos em espaços concretados, o direito de ir e vir limitado, trânsito não flui, a violência campeia, vidas e árvores a tombar, faltam-nos territórios para vivermos a plenitude.

A metamorfose é uma das marcas mais flagrantes da modernidade; a evolução mutante nos alimenta a criatividade e a responsabilidade de redescobrir novas formas de vida e novas formas de conhecer o eu no tempo e espaço, em meio a um “caos de sensações”.


Benjamim Pessoa Vale, dez./2025

Médico / Doutor Honoris Causa – UFPI / Empreendedor social





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