Simplicidade e Felicidade
O olhar sobre os centros urbanos, enxergamos o iluminar, a felicidade dos que têm o privilégio de ver.
O vermelho anuncia o Natal, ruas e lojas iluminadas, o comércio aquece, presentes são comprados, mas é hora de reflexos, lembrar as ausências e abraçar os presentes, gestos simples que trazem regozijo à alma humana.
Deitando o olhar sobre a natureza, enxergamos que os flamboyants estão florando, o tapete verde sobre as águas do Poti anuncia sua agonia, muitos a olhar a ponte iluminada e o rio se segue no esquecimento, sentimos as dores das vidas ceifadas, gritos de alerta precisam ecoar nos tímpanos e flechar almas, fazendo aflorar o amor quiescente, enxergar o simples se faz necessário.
Um Natal de simplicidade e felicidade é o que desejamos, o consumismo desenfreado domina o cenário em uma sociedade de opulência, o Natal de amor e humanismo torna-se ofuscado.
As mazelas sociais multiplicam-se, violam-se leis, muitos mergulham na ilicitude, a corrupção alastra-se, o erário público é subtraído, a violência já com índices alarmantes, mães a tombar diante dos filhos pelas mãos dos que deveriam ser protetores, a capilaridade das drogas a destruir famílias e agentes seguem usufruindo dos frutos desta engrenagem, o sistema da criminalidade organizou-se. Será que os homens esqueceram o espírito natalino? Quantos ainda conseguem enxergar o próximo e lutam para aproximar os socialmente distantes?
É Natal, onde relembramos as dores e celebramos o amor, crianças brincam, adultos correm e os idosos, em solidão, aguardam um abraço, um olhar, um gesto que faça sorrir.
Que o espírito natalino contamine as almas humanas, assim podemos viver um Natal de simplicidade e felicidade, multiplicando o amor que Cristo nos ensinou: “amai uns aos outros, como eu vos amei”. Então, é Natal.
Benjamim Pessoa Vale, dez./2025


