Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise bancária e processo de impeachment
Santiago Peña anunciou a saída do cargo após perder apoio do próprio partido; Câmara aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de destituição
Foto: REUTERS/Cesar Olmedo O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nessa quinta-feira (05) sua renúncia ao cargo em meio a uma grave crise financeira e política provocada pela liquidação do banco digital Ueno Bank. A decisão foi comunicada enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o mandatário.
Peña justificou a saída como uma medida para preservar a estabilidade do país e as instituições paraguaias. O presidente afirmou que a República deve estar acima de interesses individuais e declarou que decidiu deixar o comando do Executivo em um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política.
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A crise também provocou o rompimento de aliados políticos. Integrantes do Partido Colorado, legenda de Peña, passaram a defender sua renúncia. Com a saída do presidente, o vice Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.
Mesmo após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment. Agora, caberá ao Senado decidir se dará continuidade à destituição ou se o procedimento perderá efeito diante da renúncia.
A discussão sobre o impeachment tem consequências políticas importantes. No Paraguai, ex-presidentes têm direito a ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, com direito à participação nos debates, mas sem poder de voto. No entanto, aqueles que são destituídos por impeachment perdem essa prerrogativa e também o foro privilegiado.
Crise bancária
A crise teve início após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que atendia cerca de 2,9 milhões de correntistas, aproximadamente 60% da população adulta do país. A medida provocou o congelamento dos depósitos dos clientes e gerou forte reação popular.
Após o episódio, o presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele havia sido dirigente do banco digital até 2023, antes de assumir o comando da autoridade monetária.
A situação também motivou protestos nas ruas e levou o Ministério Público a pedir a prisão de oito pessoas, entre elas o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale. Os manifestantes cobram a responsabilização dos envolvidos na crise.
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A ligação de Peña com a instituição financeira também aumentou a pressão política. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A oposição ainda questiona investimentos realizados pelo Instituto de Seguridade Social, órgão estatal paraguaio, na instituição financeira.
Eleito em 2023, Santiago Peña pertence ao Partido Colorado, legenda conservadora que governa o Paraguai há cerca de sete décadas, com exceção do período entre 2008 e 2013.





