STF analisa se Alexandre de Moraes pode ser investigado por suposto contato com Vorcaro

Sessão vai discutir se o ministro pode ser alvo de investigação após a Polícia Federal encontrar mensagens entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro


STF analisa se Alexandre de Moraes pode ser investigado por suposto contato com Vorcaro Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar, às 10h desta terça-feira (15), se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre o caso envolvendo o Banco Master.

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A sessão será transmitida pela TV Justiça e pela internet. O julgamento foi levado ao plenário após o ministro André Mendonça, que era relator do caso, encaminhar ao novo relator, Edson Fachin, informações obtidas pela Polícia Federal durante a investigação.

Entre os dados encontrados pela PF estão cerca de 50 mensagens trocadas por Vorcaro com um número de telefone atribuído a Alexandre de Moraes. As conversas foram identificadas depois que a Justiça autorizou a quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro.

Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e pela tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

Como será o julgamento

A sessão terá início com a abertura dos trabalhos e a leitura da ata da sessão anterior. Em seguida, Fachin fará as saudações aos ministros e apresentará o relatório do processo.

Depois, a palavra será concedida à Procuradoria-Geral da República (PGR). Na sequência, os ministros começarão a votar.

Ainda não foi confirmado se Alexandre de Moraes poderá participar da análise. A participação do ministro Dias Toffoli também não está definida. Ele já havia declarado impedimento em julgamentos relacionados ao caso Master.

O julgamento pode ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem. Também existe a possibilidade de um pedido de vista, que suspenderia a análise do caso.

O que as mensagens mostram

As conversas foram tornadas públicas em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do processo e encaminhou o material para Fachin.

Segundo as informações apresentadas no caso, Vorcaro teria enviado mensagens demonstrando preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal. Em uma delas, citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Não há, porém, indicação de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas investigações.

Em outra conversa, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, que conduzia as investigações na Justiça Federal em Brasília, e questionou sobre a possibilidade de ser preso. Dois dias depois, em 17 de novembro de 2025, ele foi preso por determinação do magistrado.

Meses depois, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

Relação com o Banco Master

Alexandre de Moraes não é o relator do caso Master no STF. O contato com Vorcaro passou a ser questionado após informações de que o escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro, havia prestado serviços ao banco.

Desde que o conteúdo das conversas veio a público, Moraes não se manifestou especificamente sobre as mensagens.

Após o envio do material para Fachin, Moraes determinou a inclusão de André Mendonça no inquérito das fake news e afirmou que o ministro teria direcionado a investigação contra ele por motivos políticos. A decisão, posteriormente, foi desfeita por Fachin.

Posição da PGR

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também aparece citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da Polícia Federal que identificou as conversas.

Para Gonet, André Mendonça teria ultrapassado os limites da investigação ao determinar o aprofundamento das apurações para examinar as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.

Segundo o procurador-geral, uma medida desse tipo dependeria de autorização do plenário do STF.

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      Fonte: Agência Brasil.





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