As Eleições e o Impacto na Economia
Estamos a 32 dias das eleições nacionais, onde foi feito um levantamento de uma empresa do ramo, analisando os 221 programas de governo nestas eleições. O resultado mostra que a economia continua no topo das prioridades no país, seguido da saúde e infraestrutura entre os principais temas dos programas de governo dos candidatos. Mas as prioridades mudam de acordo com a região do país.
O Sudeste, que concentra mais da metade de toda a riqueza produzida no Brasil, também tem a economia como tema que mais aparece nos programas de governo da região. No Nordeste, a pauta domina o debate: são quase 9 mil menções. O assunto está presente em 93% dos planos de governo. No Sul, a tendência se repete: são quase 5 mil menções, o que representa cerca de 90% das propostas analisadas.
Mas nem todo o país segue o mesmo padrão. O discurso muda nas regiões da Amazônia e do Pantanal. Na Região Norte, a prioridade é a infraestrutura: o tema soma quase 4,4 mil menções e aparece em 98% dos planos. Já no Centro-Oeste, o foco principal é a saúde, presente em 94% dos programas, com mais de 3.100 menções.
As eleições influenciam diretamente a economia brasileira ao aumentar a volatilidade nos mercados financeiro e cambial, enquanto a percepção sobre preços, inflação e emprego guia a decisão dos eleitores. No que se refere ao câmbio, geram incertezas sobre a política fiscal dos futuros governos pressionam a Bolsa de Valores e o dólar. Outra situação relevante é a preocupação fiscal, pois a relação entre dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu 82,5% em julho, acendendo alertas de especialistas para a necessidade de ajuste nas contas a partir de 2027, independentemente de quem vencer. Ou seja, quando analisamos o programa de governo dos candidatos a presidente da República, a economia tem a sua prioridade, liderando, portanto, as menções nos programas dos candidatos em grande parte do país, refletindo a urgência de temas como custo de vida, juros e emprego.
O eleitor brasileiro define seu voto principalmente com base na situação financeira pessoal e no bem-estar social, com exceção de pleitos movidos fortemente por pautas de combate à corrupção, pois avaliação da inflação e das dívidas da população é considerada pelos analistas políticos um dos maiores riscos para os candidatos no poder, pois, as pessoas têm atividade econômica, duas ou três fontes de renda, e mesmo o assim não conseguem fechar a conta no final do mês, onde o componente do custo da dívida pesa muito, ainda tem um componente de uma educação financeira bastante básica ou inexistente o que leva a decisão na hora do voto.
No Brasil, esse acompanhamento se torna especialmente relevante em 2026, diante das eleições e das projeções para 2027, onde a inflação ganha destaque por influenciar o poder de compra, os juros, o câmbio e as expectativas para o futuro.
A inflação mede a variação dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Quando permanece elevada, reduz o poder de compra e pode pressionar decisões de consumo, investimento e política monetária, onde expectativas sobre o próximo governo também podem influenciar o comportamento dos agentes econômicos. Em suma, questões sobre política fiscal, gastos públicos, taxa de juros e câmbio entram no radar do mercado porque podem afetar a trajetória da inflação.
Inflação e taxa de juros estão diretamente relacionadas à condução da política monetária. Quando as pressões inflacionárias aumentam, o Banco Central pode utilizar os juros para tentar conter a demanda e aproximar a inflação da meta. Esse mecanismo, porém, também impacta o crescimento econômico. Juros elevados encarecem o crédito e podem reduzir investimentos e consumo, daí a importância do eleitor se atentar para analisar programas de governo em questões econômicas.
As eleições no Brasil são momentos decisivos não apenas para o cenário político, mas também para a economia do país. A cada ciclo eleitoral, investidores, empresários e consumidores ficam atentos às mudanças que podem ocorrer no ambiente econômico. Afinal, as decisões políticas influenciam diretamente o mercado, o investimento público e privado, e até mesmo o comportamento do consumidor.
Valmir Martins Falcão Sobrinho
Economista e Advogado






