Fé, tradição e cultura de terreiro marcam Festa de Maria Padilha em Parnaíba

Celebração na Tenda Espírita São Jorge Guerreiro reuniu dezenas de pessoas e mantém viva uma tradição de mais de dez anos


Fé, tradição e cultura de terreiro marcam Festa de Maria Padilha em Parnaíba Foto: Bruno Paz/Teresina Diário

A Tenda Espírita São Jorge Guerreiro, em Parnaíba, no litoral do Piauí, realizou nesse sábado (05) mais uma edição da Festa de Maria Padilha. A celebração reuniu dezenas de convidados em uma noite marcada por dança, música, comidas, bebidas e uma decoração preparada especialmente para a homenagem.

Na Umbanda e em outras tradições afro-brasileiras, Maria Padilha é uma entidade associada à chamada linha de esquerda, sendo cultuada por muitos terreiros como uma figura de força, proteção, orientação e acolhimento. As formas de culto e as interpretações sobre a entidade podem variar entre as diferentes casas religiosas.

Na Tenda Espírita São Jorge Guerreiro, a festa é realizada há mais de uma década e representa um dos momentos de maior dedicação dos integrantes da casa. Para o líder religioso Pai Carlos de Ogum, a celebração é uma demonstração de amor e gratidão à entidade, que ele considera uma presença fundamental em sua caminhada espiritual.

Pai Carlos de Ogum - Foto: Bruno Paz/Teresina Diário 

“Maria Padilha é um pedaço de mim, é o que eu suspiro, respiro e é caminho, a estrada. É uma mãe, uma mãe amiga que abraça, que cuida, que zela, que ama. Eu nasci na Umbanda, vou morrer na Umbanda. Porque a minha religião é a luz divina que me traz, que cuida de mim. Foi aquele dom que Deus me deu”, afirmou.

Três meses de preparação

A realização da festa exigiu cerca de três meses de preparação. Segundo Pai Carlos, o trabalho envolveu madrugadas, organização e a participação coletiva de familiares e filhos de santo, que ajudaram a preparar a ornamentação e todos os detalhes da celebração.

“Como eu falei, três meses, acordando cedo, de madrugada, cada um faz a sua parte. Nós batalhamos durante três meses, caminhamos, entregamos e, às vezes, eu fico em dúvida: será que ela vai gostar, será que ela vai admirar de tudo aquilo que a gente está fazendo? Não sou eu, é minha família e meus filhos de santo. Nós todos pegamos na mão e falamos: vamos preparar o melhor para ela, porque ela merece”, contou.

Maria Padilha - Foto: Bruno Paz/Teresina Diário 

Para o líder da tenda, o cuidado dedicado à festa é também uma forma de retribuir aquilo que acredita receber da entidade. Ele destaca que Maria Padilha ocupa um espaço de destaque em sua trajetória e é vista por ele como uma mãe, uma rainha e uma mulher de força.

“Ela é mulher, não só da minha casa, ela é de várias outras casas, mas para quem tem amor, para quem sabe respeitar e cuidar dos sagrados e também cuidar daquela mulher, respeitar ela. Tudo que eu tenho eu devo a Deus e a ela. O que eu como é ela que me dá, o que eu respiro é ela que me dá. Então, o que eu puder fazer por ela, eu faço isso e muito, muito mais, porque ela é merecedora disso”, declarou.

A relação de Pai Carlos com a Umbanda começou ainda na juventude. Segundo ele, aos 15 anos decidiu se entregar à religião. Hoje, aos 53 anos, afirma que pretende permanecer ligado à tradição até o fim da vida.

Cantigas de terreiro

A festa também contou com a participação do Ogam Vinicius, artista de Jaboticabal, no interior de São Paulo, que possui cerca de 476 mil seguidores nas redes sociais. Ele começou a publicar cantigas de terreiro na internet em 2020 e ganhou repercussão com vídeos de autoria própria.

Foto: Bruno Paz/Teresina Diário 

Há aproximadamente três anos, Vinicius também realiza apresentações com cantigas de terreiro. Para ele, o trabalho artístico é uma forma de divulgar a cultura religiosa e contribuir para a quebra de preconceitos.

Esta foi a segunda vez que o artista esteve em Parnaíba e a primeira participação em uma celebração na Tenda Espírita São Jorge Guerreiro.

Vinicius explica que, além de artista, também participa ativamente da religião como ogã em sua casa, em Jaboticabal. Para ele, estar na festa significou unir a música à própria vivência religiosa.

Ogum Vinicius - Foto: Bruno Paz/Teresina Diário 

“Na verdade é maravilhoso, é uma sensação maravilhosa, porque, além da parte artística, eu sou um ogã de terreiro. Então, além da parte do artista, eu venho também como ogã, uma pessoa que participa da religião, que gosta da religião, que vive a religião. Eu toco e canto e é maravilhoso”, relatou.

O artista também destacou a recepção que teve em Parnaíba e a experiência de conhecer a Tenda Espírita São Jorge Guerreiro antes da celebração.

“É uma festa maravilhosa para Dona Maria Padilha. Meu pai também incorpora essa falante maravilhosa. A gente chama de Dona Maria, uma forma carinhosa de falar com ela. E é maravilhoso, cara. Não tem explicação. A energia que a gente sente é maravilhosa. A energia do Piauí é maravilhosa”, afirmou.






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