Sociedade em descompasso
Agosto 2026, nesse domingo(09), comemorou-se o Dia dos Pais, mas visualizamos a sociedade em descompasso: nossa juventude, com o olhar virtual, sente o peso da vida real.
Muitos escritores renomados já tentaram definir o viver. O argelino Albert Camus afirmava que viver é um absurdo; Guimarães Rosa, que viver é perigoso. São afirmações que nos levam a reflexões, buscando entendimento sobre a vida e sua finitude por ação do próprio indivíduo: o suicídio.
Muitas variáveis levam ao fato e ao ato. O indivíduo avalia-se e avalia o mundo e conclui que nada mais vale a pena, encontrando como solução o autoextermínio.
Para entender o momento, faz-se necessária uma busca incessante dos fatores que desencadeiam o mal e o sofrimento que afligem a paz interior, impossibilitando uma análise crítica do momento.
Quais variáveis? Incompatibilidade da vida virtual com a real? Incapacidade de análise crítica do momento e de visualizar uma saída? Conflitos internos e incapacidade de externalizá-los? A não ser pelo último ato, será uma dor sem limite, que para saná-la a única opção é interromper a vida?
Continuamos no campo das perguntas, e as respostas virão pela capacidade de entendermos o momento de descompasso da sociedade: uma juventude com muita pressa para chegar, estrutura familiar em destruição, ausência de fé e esperança, um mundo em conflitos e sem um ambiente que possibilite às pessoas desenvolver suas capacidades, competências e habilidades.
Olhar e enxergar as pessoas talvez seja a luz para evitar tamanho descompasso. Se é verdade, estamos atrasados, vidas findam-se a cada instante. Necessitamos encontrar um pouco de equilíbrio: "viver é preciso", o suicídio não é preciso.
Benjamim Pessoa Vale, agosto/2026
Médico, empreendedor social, Doutor Honoris Causa — UFPI






