Da Medicina à fotografia, o olhar que transformou a paixão de Antônio Quaresma em arte
Fotógrafo piauiense relembra sua trajetória e destaca a importância de construir um olhar além do simples clique
Antônio Quaresma, fotógrafo - Foto: Bruno Paz/Teresina Diário Neste dia 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia, a imagem ganha espaço não só como registro, mas como história, memória e arte. Em um mundo em que todos carregam uma câmera no bolso, fotografar se tornou parte da rotina de muita gente.
O portal Teresina Diário conversou com o fotógrafo Antônio Quaresma, que contou a diferença entre simplesmente apertar o botão e construir um olhar fotográfico.
A relação de Quaresma com a fotografia começou de maneira curiosa. Antes de se dedicar à área, o agora fotógrafo estudava Medicina na Universidade Federal do Piauí. Durante a graduação, o contato com o microscópio, células e tecidos despertou sua atenção para os detalhes.
Foi a partir dessas experiências que Quaresma começou a se interessar por cada detalhe que a imagem trazia e decidiu deixar a Medicina para seguir outro caminho: o da fotografia.
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Antônio Quaresma - Foto: Bruno Paz/Teresina Diário
Antônio Quaresma define a fotografia como razão de sua existência e como sua forma de expressão. Além disso, ele se vê como um artista.
"Ela representa, de certa forma, sendo um pouco exagerado, a minha razão de ser. É minha forma de expressão. Eu me considero muito mais um artista plástico do que um fotógrafo", conta.
Sua trajetória também passou pela fotografia de arquitetura, área em que trabalhou durante anos, registrando projetos para arquitetos do Piauí, de outros estados e do exterior. Também desenvolveu uma pesquisa voltada à fotografia como arte, com o intuito de explorar ângulos e enquadramentos que muitas vezes passam despercebidos.
"Tem a fotografia como forma de expressão, com essa pesquisa que eu comecei a fazer com as formas através de enquadramentos da linguagem fotográfica, coisas que, normalmente, o olho não percebia", relatou.
Para Quaresma, a fotografia artística não depende apenas do clique ou de uma imagem bonita. Existe uma pesquisa por trás da escolha do que será mostrado.
"A fotografia artística é o resultado de uma pesquisa do seu olho para mostrar formas, lugares, de ângulos diferentes", fala.
Essa percepção ajuda a explicar a diferença entre uma fotografia espontânea e outra que busca construir um contexto. Para ele, tanto uma fotografia construída quanto uma imagem inesperada fazem parte das possibilidades da fotografia.
"O instante que não se repete, de tirar fotos surpresas, são os grandes máximos da fotografia. O tempo que não se repete, os segundos congelados pelo obturador da máquina de fotografar, alguém no momento dos detalhes que você viu, isso é da maior importância", explica.
Jovem cigana tocando acordeão - Foto: Antônio Quaresma
Algumas das fotografias que permanecem na memória de Quaresma nasceram de encontros inesperados. Uma delas foi feita em Lisboa, quando ele encontrou uma jovem cigana tocando acordeão.
Quaresma pediu autorização para fotografá-la. Ela aceitou. A partir dali, o momento ganhou novos significados.
"Eu não ia fazer aquela coisa do fotógrafo que o fotografado não está vendo. Não. Eu fotografo as pessoas vendo", relata.
Marinheiros diante da Torre Eiffel - Foto: Antônio Quaresma
Outra imagem que ficou marcada na memória do fotógrafo foi feita em Paris, na França. Ele havia acabado de chegar à cidade e saído do Louvre. Ao encontrar alguns marinheiros diante da Torre Eiffel, percebeu uma composição que chamou sua atenção.
"As pernas deles formaram o triângulo da Torre Eiffel. Aí eu digo: 'Eu não acredito que eu estou vendo isso aqui", falou.
São essas combinações entre a imagem e o momento por trás dela que fazem a fotografia ficar na memória de Quaresma.
Hoje, qualquer pessoa carrega uma câmera no bolso. O celular tornou a fotografia parte do cotidiano e faz com que milhões de fotos sejam registradas por dia. Quaresma relata que isso não é um problema e incentiva que mais gente continue fotografando.
"Eu deixo uma mensagem para o Dia Mundial da Fotografia: que as pessoas continuem fotografando com seus celulares e que tenham um pouco de noção da linguagem da fotografia", finaliza.
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