Especialista fala sobre sinais de abuso sexual e os traumas da violência na infância

Levantamento aponta que as zonas Sul e Leste de Teresina, concentram maiores índices de abuso sexual infantojuvenil.


Especialista fala sobre sinais de abuso sexual e os traumas da violência na infância Caso no Piauí chama atenção e estatística aponta crescimento nos casos / Foto: Elza Fiuza

Somente entre os meses de janeiro a junho deste ano, foram contabilizados 91 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em Teresina. O levantado divulgado nesta quarta-feira (14) pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), por meio da Gerência de Direitos Humanos (GDH), aponta que as zonas Sul e Leste registraram maiores índices, com 38 e 22 casos, respectivamente.

Os dados da GDH são referentes aos atendimentos dos conselhos tutelares de Teresina e que destaca ainda os dados na região Sudeste, com 14 casos registrados; e Centro/Norte, com 17 casos.

Nos últimos dias, o caso de uma menina de 11 anos que está grávida pela segunda vez, vítima de estupro, em Teresina, ganhou repercussão nacional. A criança engravidou pela primeira vez no ano de 2021, quando tinha apenas 10 anos de idade, após ser estuprada por um primo de 25 anos. A gestação prosseguiu até o fim, por opção da família.

O caso chama a atenção e as estatísticas mostram que o problema é mais profundo do que muita gente pode imaginar. O Teresina Diário, conversou com a coordenadora e psicóloga do Conselho Regional de Psicologia da 21ª região, Cinthya Selma, que explica que houve um crescimento no número de casos, principalmente no período da pendida do coronavírus.

“O número de casos de abuso sexual intrafamiliar tem crescido imensamente, principalmente nesse período do coronavírus. Percebemos que houve um aumento nos casos e se for falar dos danos psíquicos e emocionais são inúmeros”, disse.

A profissional alerta que por meio do comportamento da criança é possível perceber alguns sintomas. “É interessante que observe e converse com a criança. No desenvolvimento humano a criança tem um comportamento característico e normal. Por exemplo, quando uma pessoa adulta ou o irmão chega perto da criança e ela fica mais irritada, retraída, quer ficar perto da mãe, não querer ir para a escola, deve ser avaliado.”

Cinthya Selma, coordenadora e psicóloga do CRP-21ª / foto: Lourrany Meneses - Teresina Diário

A psicóloga orienta que para manter um elo de confiança entre os pais e a criança é necessário dialogar e também pontua aos professores.

“É necessário ter muitas conversas para estabelecer confiança entre os pais e filho, e valida tudo que as crianças falam, e de forma tranquilo analisar se foi de fato realizado. É importante que os professores tenham qualificação nesse sentido para acolher a criança em um momento desses, assim como também os pais, devem buscar orientação e leitura nesse sentido”, fala.

Cinthya Selma explica que falar de educação sexual é uma forma de prevenção, pois desde pequena a criança aprende as formas de defesa.

“Muito se fala sobre a educação sexual, tem até críticas sobre, mas através da educação sexual que vai conseguir prevenir o abuso. Pode usar músicas lúdicas que podem mostrar quais são as regiões do corpo que o outro pode tocar. Desde pequeno, a criança tem que aprender a privacidade dela. Educação sexual não estimula a sexualidade, a criança está nesse período de desenvolvida está para brincar e aprender. A conotação sexual quem dá é o adulto”, esclarece.

A profissional indica a ajuda de profissionais como mecanismo para superar o. trauma.

“Através de terapia e tratamento a criança será ressignificada o que aconteceu com ela, por meio de técnicas que a criança verbalize usando música, dança, desenho, da brincadeira que sejam colocadas para fora a vivência negativa para que ela não cresça com sequelas, para que quando adulta pode inclusive ter ideação suicida e levar problemas para as relações”, finaliza.





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