Aumenta o endividamento das famílias no Brasil
O endividamento das famíias brasileiras em 2026 atingiu um índice considerado muito alto em relação aos anos anteriores. O recorde de endividamento, porém, foi superado em agosto e setembro quando o índice chegou a 82%, segundo nova pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A maioria dos especialistas em educação financeira considera que um dos fatores que contribuem para esse cenário é a combinação entre a falta de conhecimento financeiro e a facilidade de acesso ao crédito., uma vez que, o orçamento depende do crédito, seja comprando a prazo ou consumindo o que compromete a renda das famílias.
Outro problema é que muitas pessoas vivem além de sua realidade financeira por não conseguirem diferenciar a própria renda dos limites disponíveis no cartão de crédito e no cheque especial. Um exemplo prático: “Se o salário da pessoa é de R$ 4 mil e o limite da conta é de R$ 3 mil, ela vive com o falso orçamento de R$ 7 mil e entra em um ciclo de endividamento difícil de sair: o salário cai, cobre o limite usado mais os juros, ela fica novamente sem dinheiro e volta a usar o limite da conta.” Se isso acontece, faz-se necessário sair do ciclo de endividamento , diminuendo as despesas e buscando linhas de crédito com juros mais baixos para sair desta ciranda financeira.
È importante ressaltar que o controle financeiro é muito mais uma questão comportamental do que matemática, onde as compras são geralmente compradas por impulso, não fazendo os cálculos na aquisição do produto e ou serviço, daí a necessidade do controle financeiro.
Eis algumas orientações para organizar as finanças, sair das dívidas e evitar um novo endividamento.
ORIENTAÇÕES PARA ORGANIZAR AS FINANÇAS
1. Encare a origem do problema
Antes de pagar uma dívida, identifique o que levou ao desequilíbrio financeiro. Analise seus hábitos de consumo, os imprevistos enfrentados e possíveis erros de planejamento. Compreender as causas é fundamental para evitar comportamentos que comprometem o orçamento.
2. Reúna todas as contas
Liste todas as despesas, incluindo aluguel, financiamentos, parcelas, cartão de crédito e contas básicas. Conhecer o tamanho real dos compromissos financeiros é o primeiro passo para recuperar o controle das finanças.
3. Descubra sua renda real
Verifique qual é o salário líquido indicado no contracheque , ou seja, o valor que efetivamente entra na conta. Se você é autônomo, calcule a média dos rendimentos dos últimos seis meses (some-os e divida por seis) e considere esse valor como renda mensal média.
4. Registre cada gasto realizado
Anote e some todos os gastos, inclusive os pequenos valores do dia a dia. Café, lanches e compras ocasionais podem representar uma quantia significativa ao longo do mês. Esse registro ajuda a identificar despesas que passam despercebidas.
5. Compare receitas e despesas
Saiba exatamente quanto você gasta e verifique se esse valor ultrapassa o que ganha. Esse retrato da situação financeira mostrará onde estão os excessos e quais ajustes precisam ser feitos imediatamente.
6. Corte gastos desnecessários
Revise serviços, assinaturas e outros gastos não essenciais. Se possível, reduza despesas com água, energia elétrica e internet. Pequenas economias em diferentes áreas geram um impacto significativo no orçamento, especialmente para quem está desempregado.
7. Resista às compras por impulso
Antes de comprar, pergunte-se: este item é realmente necessário? Evite adquirir produtos repetidos ou supérfluos. Envolver a família nessa mudança de comportamento também ajuda a reduzir os gastos e fortalecer a disciplina financeira.
8. Fuja dos juros mais altos
Evite recorrer ao cheque especial e ao crédito rotativo do cartão, que possuem juros elevados. Se necessário, negocie as dívidas ou procure alternativas com custos menores para reorganizar os pagamentos.
9. Negocie e reorganize os pagamentos
Entre em contato com os credores para buscar descontos, prazos maiores ou condições de parcelamento mais favoráveis. Renegociar as dívidas pode aliviar o orçamento e criar condições mais realistas para quitá-las.
10. Crie metas e forme uma reserva
Defina objetivos financeiros e separe parte da renda para formar uma reserva de emergência. Poupar regularmente reduz a necessidade de recorrer a empréstimos diante de imprevistos e ajuda a manter as contas em ordem no futuro.
Por fim, você pode de sair da inadimplência, dependendo exclusivamente das suas ações . A organização financeira vai lhe ajudar a ter uma vida mais feliz. Agora é só tomar bastante cuidado para não cair na cilada de gastar mais do que se ganha.
Valmir Martins Falcão Sobrinho
Advogado e Economista






