O pobre de direita entrou no centro da disputa
Em apenas 48 horas depois do primeiro turno, a expressão “pobre de direita” acumulou 47 mil menções, feitas por 37 mil autores, segundo monitoramento realizado no Brandwatch Consumer Research pela pesquisadora Lilian Carvalho, PhD em Marketing e professora da FGV/EAESP.
O dado mais significativo, porém, não está na quantidade, mas no tom. Segundo o levantamento, 60% das publicações analisadas foram negativas e apenas 8% positivas.
A pesquisadora resume o fenômeno de maneira direta: a conversa não foi sobre o pobre. Foi contra ele. O eleitor virou alvo!
A expressão ganhou força depois de uma publicação atribuída à cantora Anitta, que questionava se o “pobre de direita” estaria satisfeito por ter votado em um candidato que, segundo a publicação, seria contrário à redução da jornada de trabalho. A postagem foi compartilhada quase 10 mil vezes.
Quando você chama o eleitor de burro porque ele votou diferente de você, você não está apenas perdendo uma discussão. Está dificultando a possibilidade de convencê-lo do contrário.
O contra-ataque
A direita percebeu a oportunidade e o deputado federal Lucas Pavanato respondeu ironizando a postura da esquerda e citando justamente algumas das profissões que apareceram com força na conversa digital: motorista de Uber, entregador de aplicativo e lash designer.
Segundo o levantamento, cada uma dessas expressões apareceu cerca de 3,7 mil vezes.
São ocupações que ajudam a representar uma transformação profunda no mercado de trabalho brasileiro: trabalhadores autônomos, prestadores de serviço, pequenos empreendedores e pessoas que muitas vezes vivem entre o emprego formal e a informalidade.
É o Brasil do MEI, do aplicativo, do pequeno negócio e do empreendedor por necessidade.
O eleitor de baixa renda não vota necessariamente apenas a partir da renda que possui hoje.
Ele também vota a partir daquilo que deseja ser amanhã.
Quer ter casa própria. Quer abrir um negócio. Quer ganhar mais. Quer trabalhar por conta própria. Quer segurança.
Quer pagar menos impostos. Quer ter autonomia.
E pode interpretar determinadas políticas públicas de maneira completamente diferente da leitura feita por setores da classe média universitária.
No radar: clima e agronegócio
Clima e natureza estão passando a interferir diretamente no acesso ao crédito rural, nas condições de financiamento e nas exigências de mercado. O Plano Safra 2026/27, por exemplo, prevê descontos nas taxas de custeio associados à regularidade do CAR e à adoção de práticas sustentáveis. O mercado de carbono aparece como uma nova possibilidade, mas ainda longe de ser dinheiro fácil. Estudos estimam potencial de até 314 milhões de créditos de carbono do setor agropecuário até 2035, mas ressalva que a receita depende de metodologia, certificação, demanda e preço.






