Maioria dos brasileiros apoia fim da escala 6x1, enquanto debate avança no Congresso
Levantamento do Datafolha aponta que 71% defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana
Foto: Valter acampanado/Agência Brasil O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou força no Brasil nos últimos meses. Segundo pesquisas, a maioria dos brasileiros é favorável ao fim desse modelo de jornada. Levantamento do Datafolha aponta que 71% defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana, enquanto 27% são contra e 3% não opinaram.
Em pronunciamento nesta quinta-feira (30), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também se posicionou contrário à escala 6x1. Ele afirmou que para às mulheres a jornada é ainda mais difícil, levando em conta que a maioria das mulheres fazem jornada dupla, entre trabalho formal e trabalho doméstico.
“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos. O fim da escala 6x1 vai garantir mais tempo com a família. Mais tempo para acompanhar o crescimento dos filhos, estudar, cuidar da saúde, ir à igreja, viver além do trabalho. Mais tempo para descansar, porque eu sei o quanto o trabalhador brasileiro está cansado”, afirmou Lula.
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Atualmente, dois projetos que tratam da jornada de trabalho estão em tramitação no Congresso Nacional. Um deles, apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL), prevê a redução da jornada para 36 horas semanais. O outro foi enviado em caráter de urgência pelo governo federal e propõe a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição de salário.
Um trabalhador que não quis se identificar, que atua em uma rede de supermercados no Piauí relatou como é a rotina na escala 6x1.
“Olha, eu trabalho em supermercado, e quem está de fora às vezes não entende o que é viver numa escala 6x1. Parece normal, né? Trabalhar seis dias e folgar um. Mas, na prática, isso vai desgastando a gente aos poucos. A gente acorda cedo, passa o dia em pé, lidando com cliente, reposição, caixa, pressão por meta… e, quando chega a folga, você não descansa de verdade. Só tenta se recuperar para aguentar mais seis dias. Não sobra tempo para a família, para estudar, para cuidar da saúde. A vida vira só trabalho”, relatou.
Ainda de acordo com o trabalhador, o fim da escala 6x1 traria mais saúde, qualidade de vida e mais tempo para a convivência familiar, aspectos que acabam ficando em segundo plano devido à longa jornada de trabalho.
“Se acabarem com essa escala 6x1, para a gente muda muita coisa de verdade. Primeiro, a saúde. Trabalhar seis dias seguidos desgasta demais. Com mais tempo de descanso, a gente adoece menos, sente menos dor e fica menos esgotado mentalmente. Outra coisa é a família. Hoje, com apenas uma folga, mal dá para ver os filhos, passar um tempo de qualidade com quem a gente gosta. Com uma escala mais justa, a gente consegue participar mais da vida dentro de casa, e isso faz muita diferença”, conta.
Patrícia Alencar, advogada trabalhista- Foto: Bruno Paz/Teresina diário
Segundo a advogada Patrícia Alencar, o fim da escala também pode trazer impactos positivos tanto para os trabalhadores quanto para a economia.
“Primeiramente, caso a jornada seja reduzida, o salário não pode diminuir, pois a lei proíbe isso. Para o trabalhador, isso representa uma melhoria na qualidade de vida e, ao reduzir a carga horária, há um aumento na produtividade. Em relação à economia, há impacto, mas é importante lembrar que esse trabalhador pode ser substituído por outro, o que abre caminho para novas contratações”, explicou.
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