Estradas: cai número de mortes em acidentes envolvendo animais
Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) apontam queda de 21% nas mortes em acidentes de trânsito provocados por animais soltos nas estradas piauienses, em relação aos seis primeiros meses de 2025. Quando a comparação é com ao mesmo período de 2024 a queda verificada é de 25%. O diretor de operações da SSP-PI, Fernando Aragão, atribuiu parte desse resultado à Lei nº 8.937/2026, aprovada pela Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), que endureceu as multas aplicadas aos responsáveis por animais mantidos soltos. Para animais de médio porte, a penalidade passou de aproximadamente R$ 74 para R$ 495 por cabeça.
No caso dos animais de grande porte, subiu de R$ 148,50 para R$ 1.485. A legislação teve origem em proposta do deputado Ziza Carvalho (MDB), que promoveu debates sobre o problema e uma audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor e do Meio Ambiente. A construção da medida envolveu órgãos como a Polícia Rodoviária Federal, a SSP-PI, a OAB-PI, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Departamento de Estradas de Rodagem.
A redução das mortes foi associada à lei pela Secretaria de Segurança, mas os números apresentados, isoladamente, não permitem afirmar que o endurecimento das multas foi o único responsável pela queda. Fiscalização, conscientização e outras medidas também precisam ser consideradas para avaliar o resultado.
Infraestrutura, Esporte e Agricultura Familiar ganham mais espaço no orçamento
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 abre uma disputa importante sobre as prioridades do Governo do Piauí. Entre as pastas com maiores crescimentos percentuais previstos estão Esporte, com alta de 98,1%; Infraestrutura, com 89,1%; e Agricultura Familiar, com 86,4%. Os percentuais, entretanto, exigem uma leitura cuidadosa.
A Secretaria de Infraestrutura teve forte redução orçamentária no exercício anterior e, mesmo com a recuperação projetada para 2027, ainda pode ficar abaixo do patamar de 2025. Já a Agricultura Familiar aparece entre as áreas com maior expansão percentual e nominal quando excluídas as secretarias de orçamento bilionário. Na Educação, o destaque está no crescimento nominal: a previsão é de aproximadamente R$ 1,3 bilhão adicional, destinado, segundo o texto da proposta, à continuidade das reformas na estrutura das escolas. O Planejamento aparece em seguida, com incremento previsto de R$ 688 milhões.
No sentido oposto, a Cultura pode sofrer a maior redução percentual, de 53,6%, equivalente a cerca de R$ 41 milhões. A Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos também figura entre as maiores perdas nominais, com redução estimada em R$ 32 milhões. É importante, contudo, não confundir crescimento percentual com maior volume de recursos. Uma pasta que parte de uma base menor pode registrar alta expressiva sem receber o maior acréscimo em reais. A proposta ainda será analisada pelos deputados na Comissão de Fiscalização e Controle, Finanças e Tributação. É nessa etapa que o debate parlamentar poderá esclarecer as justificativas para as mudanças e avaliar se as previsões correspondem às necessidades de cada área.
Receita mais conservadora e dependência de transferências
Outro sinal relevante do PLOA é a previsão de crescimento de 13% da receita líquida entre 2026 e 2027. O percentual é inferior aos 24,71% projetados para o intervalo entre 2025 e 2026, indicando uma estimativa menos acelerada de expansão das receitas. A proposta prevê que o aumento dos recursos provenientes de transferências correntes supere o crescimento esperado da arrecadação de impostos: cerca de R$ 1,8 bilhão adicional em transferências, ante R$ 1,3 bilhão na arrecadação tributária. A previsão de receitas com operações de crédito também chama atenção.
Depois de estimar R$ 2,8 bilhões em 2025 e R$ 5,8 bilhões em 2026, o Governo projeta R$ 6,3 bilhões para 2027. A combinação desses números levanta questões sobre a composição das receitas e o espaço fiscal para financiar as despesas previstas. O crescimento da arrecadação própria e a entrada de recursos de outros entes têm características distintas, assim como os empréstimos, que representam recursos a serem pagos futuramente. O projeto também prevê mudanças relacionadas à transferência de parte das despesas correntes para o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), em decorrência da implementação do novo sistema tributário.






