Evangélicos: comunidade vira alvo das candidaturas


Evangélicos: comunidade vira alvo das candidaturas


O crescimento do eleitorado evangélico no Piauí tem se refletido na estratégia das candidaturas para 2026. Mesmo sendo o Estado brasileiro com o menor percentual de evangélicos, segundo o Censo do IBGE, a comunidade ganhou peso suficiente para entrar no radar de praticamente todos os grupos políticos e dos grandes eventos de campanha. 


Entre os movimentos mais recentes está o do candidato ao Senado, deputado federal Júlio César (PSD), que reuniu cerca de 70 pastores em um encontro articulado pelo presidente da Aliança dos Pastores de Teresina, pastor Macedo Júnior.


E ainda ontem (7) no feriado da Independência, o governador Rafael Fonteles (PT) participou da celebração dos 31 anos da Igreja Batista Nacional Filadélfia, no bairro Parque Ideal, zona Sudeste de Teresina. Na ocasião, destacou a contribuição das lideranças religiosas.


Não é exatamente uma novidade a aproximação de políticos com o segmento evangélico. O ex-governador Wellington Dias, por exemplo, sempre manteve diálogo com o grupo, inclusive pela influência da esposa, a ex-deputada federal Rejane Dias, que é evangélica. 


A novidade é a dimensão eleitoral que essa aproximação vem ganhando.


Um eleitorado que cresceu


Os números do Censo do IBGE ajudam a explicar o movimento. 

Em 2010, os evangélicos representavam 9,57% da população piauiense, enquanto os católicos somavam 85,25%.


Em 2022, o cenário mudou. Os evangélicos passaram a representar 15,6% da população, enquanto os católicos ficaram em 77,4%.


Ou seja: em pouco mais de uma década, a participação evangélica cresceu de forma significativa.


O Piauí continua sendo o Estado com menor percentual de evangélicos do país, mas 15,6% de uma população de mais de 3 milhões de habitantes representa um contingente eleitoral que nenhum candidato quer ignorar. 


Além do número de eleitores, as igrejas evangélicas possuem lideranças, redes de relacionamento, capacidade de mobilização e presença territorial. Pastores e dirigentes funcionam como importantes canais de comunicação e cabos eleitorais em suas comunidades.


A disputa pelo voto organizado


É justamente aí que está o interesse político.


A eleição não será apenas uma disputa pelo eleitor individual. Será também uma disputa por redes de influência e comunidades organizadas.


Setenta pastores em um encontro com um candidato ao Senado é estratégico. Mais do que uma agenda religiosa, a reunião demonstra a tentativa de estabelecer pontes com uma estrutura que possui capilaridade e capacidade de diálogo direto com os fiéis.


Entre o eleitorado evangélico votará em bloco há diferentes denominações, perfis ideológicos, lideranças e preferências políticas dentro da comunidade, o que não garante o voto em bloco, mas garante território em alguma destas comunidades, ou denominações.


O bastidor


A política piauiense percebeu uma mudança que os números do IBGE ajudam a materializar.


Durante muito tempo, a relação entre políticos e igrejas evangélicas podia ser tratada como uma agenda complementar. Agora, com o crescimento do segmento e sua maior organização política, a conversa passa a ocupar lugar estratégico na campanha.






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