A Academia Piauiense de Letras: Elitista, Conservadora E Poderosa – (II)


A Academia Piauiense de Letras: Elitista, Conservadora E Poderosa – (II)

Contudo, no que pese tudo o que foi dito acima, e os inúmeros movimentos enfrentados, a Academia Piauiense de Letras sempre consolidou a sua ação de trabalho, como uma instituição elitista e conservadora. E nesse campo, adotando a política tradicional travada nos ideais e ações de líderes modernos, mas conservadores. Aceitava, às vezes, a modernidade, porém, não praticava como ação proeminente os desafios dos tempos hodiernos e/ou atuais. Teve, sempre, posicionamento ortodoxo e elitista.

Quando fui eleito, imaginava e esperava também encontrar um campo de discussão de ideias novas, contemporâneas, nas contendas de temas os mais diversos. 

Não houve, não há, não haverá, no futuro, assim creio, uma abordagem de temas econômicos, sociais, jurídicos e políticos atuais, em suas reuniões e de seus membros. Justamente porque o carácter conservador predomina, bem como o elitista na linhagem histórica acadêmica da maioria de seus membros. Este caráter condutor e este procedimento permanecerão na maior quantidade dos ilustres colegas. Completei 25 anos, como membro efetivo e até o momento não vi grandes mudanças. Ou mudança alguma edificar discussões de caráter de temáticas atuais.

A publicação de quase 180 títulos de livro nas gestões dos acadêmicos Reginaldo Miranda e Nelson Nery é um fenômeno extraordinário e inédito.  Nenhuma academia estadual e nem sequer a Brasileira, terá tido esse desempenho. E até poucas editoras. Mas não populariza a instituição. 

E o site criado, em momento tão oportuno, essencial e memorial à Instituição, ideia renovadora do presidente Zózimo, discute mais história de seus vultos, que assuntos atuais como a distribuição de renda perante a brutal concentração de renda no Piauí; para este acadêmico o mais grave problema do Brasil; no Piauí, 1,4 milhão de irmãos estão abaixo da linha da extrema pobreza, conforme levantamento do IBGE e do IPEA. Nada mais moderno para nossa APL discutir e reafirmar posição de protesto em matéria como esta. Contudo, o caráter elitista e conservador da Academia, não oportuniza debate como esse na abordagem de literatura e de teoria econômica. Além de seus membros não aceitarem discussão com conteúdo dessa natureza; também contestam manifestações de carácter político ideológico. Não digo que discutam política partidária. Esta é uma atitude de atraso.

Completei, reafirmo, 25 anos de ingresso na APL. Ingressei, entretanto, com o desejo e ânimo presentes   e também convencido de que  haveria de debater, também assuntos políticos (nada partidário), econômicos, administrativos e/ou atuais, do quotidiano, porém, nada disso houve até agora. Pois, o que vejo, e fortemente, é o debate focar quase que exclusivamente em teoria literária, história de vultos apenas literários, registros fotográficos de acadêmicos, que interessam, em parte, aos próprios acadêmicos e com pouca repercussão fora  de eventos acadêmicos.

E não vislumbro uma mudança. As elites, sempre têm os seus temas prediletos, desde que não sejam atuais e polêmicos; e o conservadorismo, dessas elites, impõe essa marca, para que não conflite com a sociedade, ainda que seja uma atitude vanguardista em benefício do conjunto humano. A moderação e a serenidade e o apaziguamento de conduta aplacam quaisquer debates mais acalorados de temáticas que estejam fora da literatura propriamente dita.

Participar, como membro efetivo da Academia Piauiense de Letras é uma consagração, uma áurea, para qualquer cidadão; especialmente para quem, como eu, sempre valorizou a educação, o ensino, o conhecimento, a ciência política, econômica, literária, sociológica, antropológica, etc., bem assim as ciências exatas. No entanto, faço essa autocrítica da nossa APL, mais com o interesse puramente democrático, de melhorar e de enaltecer as suas metas e ações, para alcançar mais campos de integração social onde possa aumentar a sua linha de trabalho modernista e, efetivamente, popularizar-se, em todo o complexo social, como uma instituição moderna, contemporânea e séria ao discutir a atualidade; porém, sem o partidarismo, fundamentalismo e o cientificismo de certos grupos sociais. Pois, estes, fugiriam de sua objetividade estatutária e de sua história centenária.

Contudo, ainda que elitista e conservadora, jamais deixará de prestar os seus relevantíssimos serviços culturais e do conhecimento literário à sociedade piauiense, que são beneméritos, reconhecidos e imprescindíveis, entretanto, repita-se, de cunho proeminentemente ortodoxo e da minoria dominante no grupo social.

Magno Pires é membro da Academia Piauiense de Letras-APL, advogado da União (aposentado), Ex-Secretário de Administração do Piauí e ex-presidente da Fundação CEPRO, professor, jornalista e ex-advogado da Cia. Antárctica Paulista (hoje AMBEV) por 32 anos consecutivos, atual Secretário de Estado do Saneamento Básico – SESB






LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR