Michelle testa os limites do bolsonarismo


Michelle testa os limites do bolsonarismo


O embate provocado por Michelle Bolsonaro ao rejeitar a aproximação do PL com Ciro Gomes, no Ceará, expôs mais do que uma divergência regional. Pela primeira vez desde a prisão de Jair Bolsonaro, ficou evidente que a condução política do bolsonarismo já não depende de um único comando. A reação pública de Michelle, embora tardia, expôs a relação sabidamente desgastada que a ex-primeira tem com os enteados. São vários os pontos revelados pelo vídeo de mais de 20 minutos publicado ontem (24). Mesmo sendo exposta à relação desgastada, as possibilidades de retomada permaneceram. Apesar do desgaste público, a crise não parece definitiva. Flávio evitou responder diretamente às declarações da ex-primeira-dama, e o partido rapidamente iniciou uma tentativa de recomposição interna, chamando as mulheres de direita para o diálogo. 


Feminismo x pragmatismo  
Por que só a mulher tem que ceder? Em muitos pontos, Michele Bolsonaro tem razão, mas nenhum deles é tão evidente quanto a defesa de maior participação das mulheres no PL. A rifa de nomes femininos em prol do pragmatismo político não é exclusividade da direita. É uma realidade da política. Acontece em todos os partidos. Na esquerda, os exemplos mais recentes são de nomes como o de Marília Arraes e Luiziane Lins. Tal qual o nome defendido para o Senado por MichelLe no Ceará, vereadora Priscila Costa, elas tiveram suas candidaturas viáveis negociadas pelos partidos em troca de apoio político. Mas não foi o feminismo que moveu Michele Bolsonaro. Seria ótimo para a causa, se não fosse só mais uma jogada do xadrez da família. 



O PT do Ceará agradece 
Numa disputa acirrada como a do Governo do Ceará, onde Ciro Gomes tem uma pequena vantagem sobre o candidato Elmano de Freitas do PT, o fortalecimento de um terceiro nome como o do senador Eduardo Girão (PL) pode ser decisivo. Ao atacar Ciro e falar do episódio ocorrido há meses, mas que deteve a maior parte do vídeo da ex-primeira dama, ela tenta fortalecer e manter a base bolsonarista cearense, a mais forte na região Nordeste. Uma vitória de Ciro com o apoio dessa base tem tudo para transferir a ele um capital político que o bolsonarismo não quer perder, mesmo que o preço a pagar seja a eleição do petista. O cálculo é simples: sem lulistas para antagonizar, não existe razão de existir bolsonaristas. Manter base fiel de Bolsonaro é o principal objetivo, vencer eleições não é





Uma mão lava a outra?
Quem fica com o espólio? Manter seu capital político de mulher de direita que faz tudo pela família é o objetivo. Eleger Flávio Bolsonaro não.  O vídeo de texto e cenários muito bem pensados jamais seria publicado sem anuência do esposo e do presidente nacional do PL. O desgaste da candidatura do enteado foi o pano de fundo. Para Valdemar Costa Neto, que tem por principal meta manter o tamanho da bancada do PL, foi um teste de viabilidade. Para Michele, foi a oportunidade perfeita de mostrar que ela pode ser a herdeira mais viável do bolsonarismo. Com o marido preso e impossibilitado de falar, ela se transforma de vez em sua porta-voz oficial na cabeça do eleitor. Sabendo que só seria escolhida em situação de desespero, deu sua última cartada. 






LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR