Metade dos municípios administra o SUS sem planejamento, revela estudo

Falta de dados, alta rotatividade de gestores e crise financeira comprometem a gestão da saúde pública em cidades brasileiras


A gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios brasileiros enfrenta um cenário preocupante que foi apresentado em um levantamento inédito realizado pela UniverSaúde em 2026, no âmbito do Índice de Excelência em Gestão do SUS (IEG-SUS). O estudo aponta que grande parte das administrações municipais opera sem informações consolidadas para orientar decisões estratégicas, comprometendo a eficiência dos serviços prestados à população. Sistema pressionado pela escassez de recursos financeiros, falta de previsibilidade orçamentária e dificuldades crescentes de planejamento. 


Quase metade dos municípios toma decisões sem dados estruturados

De acordo com a pesquisa, 48% das secretarias municipais de saúde não possuem indicadores organizados para acompanhar o desempenho dos serviços. Além disso, 53% dos gestores afirmam não conhecer os centros de custos das unidades assistenciais sob sua responsabilidade. A ausência dessas informações impede uma gestão eficiente dos recursos públicos.

Sem indicadores estruturados, torna-se difícil identificar gargalos, monitorar resultados e definir prioridades. Da mesma forma, a falta de conhecimento sobre os custos operacionais dificulta a identificação de desperdícios e oportunidades de economia. O resultado é um sistema que, em muitos casos, deixa de ser administrado de forma estratégica e passa a funcionar de maneira reativa.


Gestão em modo de urgência permanente

Outro dado que chama atenção é que 78% dos gestores municipais de saúde afirmam atuar em regime de urgência permanente.

O cenário descrito pelos participantes aponta para uma rotina marcada pela resolução de problemas imediatos, com pouco espaço para planejamento de médio e longo prazo.

Segundo o levantamento, essa dinâmica reduz a capacidade das secretarias de implementar melhorias estruturais, tornando a gestão vulnerável a crises recorrentes e dificultando a construção de políticas públicas sustentáveis.


Alta rotatividade compromete continuidade administrativa

A pesquisa também identificou um fator considerado crítico para a governança do SUS: a elevada rotatividade nos cargos de gestão.

Cerca de 65% dos gestores que responderam ao estudo estão há menos de um ano na função. A troca frequente de dirigentes pode gerar descontinuidade administrativa, perda de conhecimento institucional e interrupção de projetos estratégicos, dificultando a consolidação de políticas de longo prazo. 

Sem dados consolidados, gestores enfrentam dificuldades para responder questões fundamentais, como; quanto cada unidade realmente custa ao município; onde estão os principais desperdícios e quais serviços apresentam melhor desempenho.

Teresina exemplifica desafios da gestão municipal

O caso de Teresina ilustra os impactos da alta rotatividade na administração da saúde pública.

Nos últimos cinco anos, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) passou por sucessivas mudanças em sua presidência:

2021–2022 Antônio Gilberto Albuquerque Brito

2022–2023 Clara Francisca dos Santos Leal

2023–2024 Ari Ricardo da Rocha Gomes Ferreira

2024 - Ítalo Costa Sales

2025 - Charles da Silveira

2025–2026 Leopoldina Cipriano








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