O efeito das bets na sociedade brasileira


O efeito das bets na sociedade brasileira

O crescimento das casas de apostas online no Brasil impacta diretamente no consumo e na renda das famílias brasileiras. A facilidade de acesso e a promessa de ganhos rápidos atrai um número crescente de brasileiros. 

O levantamento indica que o percentual de pessoas que fazem apostas em bets no país foi de 14%, em 2023, para 17%, em 2025. O gasto mensal com bets gira em torno de R$ 100 para 37% do universo de apostadores da pesquisa. Mas, o percentual de gastos de menor valor (de R$ 1 a R$ 30) expandiu de 33% para 36%, de 2024 para 2025.

O impacto dessas mudanças no comportamento de consumo é particularmente grave entre os jovens, que, em busca de ganhos rápidos, acabam comprometendo não apenas seu próprio futuro financeiro, mas também a estabilidade de suas famílias. De acordo com a pesquisa, muitos jovens apostadores são motivados pelo desejo de ganhar dinheiro rápido, com 54% indicando essa razão como a principal. No entanto, essa busca por uma solução imediata para as dificuldades financeiras muitas vezes resulta em perdas significativas, exacerbando as dificuldades econômicas e criando um ciclo de instabilidade que pode afetar toda a estrutura familiar. As apostas esportivas, que deveriam ser uma forma de entretenimento, estão se tornando um fator de desagregação familiar, onde o orçamento doméstico, que deveria ser destinado à educação, alimentação e poupança, é consumido pelo vício em apostas. Este cenário desafia as políticas públicas a criar medidas eficazes para proteger os jovens e as famílias, prevenindo que a dependência em jogos de azar comprometa seu futuro.

Na mesma pesquisa, estima-se que 0,22% do PIB foi destinado a apostas online nos últimos 12 meses. Esse avanço demonstra que, à medida que as bets disputam espaços com outras formas de consumo, a renda disponível para educação, saúde e lazer torna-se cada vez mais comprimida.

A fragilidade financeira do apostador recorrente gera um custo social anual de R$ 38,8 bilhões no Brasil. Cerca de 80% desse valor estão ligados a problemas de saúde, como perda de qualidade de vida ou tratamentos relacionados à depressão, além de mortes adicionais por suicídio. O cálculo foi realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental (FPSM).

A pesquisa demonstra que os impactos são mais sentidos nas classes sociais mais baixas, pela acessibilidade nos aparelhos celulares entre os mais pobres, pela facilidade de acesso e ausência de empecilhos legais e burocráticos de controle. Esse apostador contumaz, geralmente das classes mais desfavorecidas, tende a encarar a aposta como investimento e acredita que ‘investindo’ pouco dinheiro pode multiplicá-lo. Quando essa perspectiva (‘investimento’) associa-se a um comportamento compulsivo, torna-se a fórmula perfeita para o vício e o comprometimento da renda familiar.

Esse cenário afeta, não apenas a situação financeira das famílias, mas também a saúde mental dos envolvidos. O ciclo vicioso de apostas pode levar ao desenvolvimento de sintomas de ansiedade, frustração e desesperança, à medida que as perdas se acumulam e as promessas de ganhos nunca se concretizam. 

De acordo com a pesquisa, 51% dos brasileiros que apostam sentem aumento de sintomas ansiosos. Além disso, a pesquisa revela que 42% desse público usam esse vício como uma fuga ilusória das dificuldades cotidianas, mas, ao invés de aliviar o estresse, aprofunda-o com sensações de impotência e isolamento. 

Os jogos de azar representam um risco à sociedade ao atuarem como facilitador para o desenvolvimento de vícios. Trata-se como o uso de drogas, por analogia. Muitos podem experimentar e usar drogas recreativas sem alterar suas rotinas e compromissos. Outros tantos, porém, apresentarão tendências ao vício.

Na realidade, não existe as formas de proteção ao apostador na proposta de regulamentação do setor, pois a legislação apresentada até aqui pouco diz a respeito de controles de acesso aos sites de apostas, onde comprovadamente até menores de idade podem driblar as exigências, meramente declaratórias, para realizarem apostas. 

O governo estuda uma forma de controlar a atuação de influenciadores digitais na propaganda desse tipo de conteúdo, onde há  a necessidade de se preservar os grupos mais vulneráveis, com os órgãos de fiscalização e a punição de quem promove jogos proibidos  de forma exemplar, iniciando com a empresa, para obter autorização de funcionamento, deve demonstrar que possui um código de conduta e de difusão de boas práticas de publicidade e propaganda, bem como demonstrar que integra ou está associada ao organismo de monitoramento da publicidade responsável. 

Para mitigar esses riscos, é fundamental que a regulamentação das apostas online seja revista para incluir medidas mais rigorosas de controle, como a verificação obrigatória de identidade e a imposição de limites financeiros para evitar o endividamento excessivo. Políticas públicas também devem ser implementadas para oferecer suporte psicológico e financeiro às famílias afetadas, através da criação de programas de reabilitação para jogadores compulsivos e campanhas educativas sobre os perigos do jogo. Além disso, a criação de uma base de dados nacional para monitorar jogadores em risco permitiria uma intervenção preventiva, ajudando a evitar o agravamento da dependência e protegendo o bem-estar das famílias.

A regulamentação e as políticas públicas precisam evoluir para garantir que a proteção oferecida seja adequada e eficaz, preservando a estabilidade financeira e emocional das famílias brasileiras diante dessa nova realidade.

Na realidade algo precisa ser feito, com este alerta do Banco Central sobre a apostas on line em especial com os beneficiários do bolsa família, chega- se a conclusão que a maioria dos nossa juventude, sobretudo da periferia das grandes cidades, estão cada vez mais afundados em dívidas, mas o pior é termos aqueles cujos pais lhe dão seus salários, seus benefícios sociais e, acima de tudo, tiram suas perspectivas de futuro. 

Valmir Martins Falcão Sobrinho 

Economista e Advogado






LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.

INSTALAR