Hospital São Marcos detalha crise financeira e explica suspensão de novos atendimentos oncológicos
A direção diz que instituição precisa de mais R$ 4 milhões por mês para manter a entrada de novos pacientes
Foto: Kauan Sousa/ Teresina Diário Depois de anunciar a suspensão de novos atendimentos para tratamento de câncer, o Hospital São Marcos realizou, na manhã desta segunda-feira (6), uma entrevista coletiva na qual seu diretor detalhou a situação financeira da instituição e como os pacientes serão afetados.
De acordo com o hospital, seria necessário um aumento de R$ 4 milhões por mês nos repasses, além dos recursos que já recebe do poder público, para continuar atendendo novos pacientes.
Durante a coletiva, o Hospital São Marcos apresentou um relatório elaborado pela Planisa, empresa de consultoria especializada em gestão de custos na saúde, que concluiu não haver má gestão dos recursos públicos destinados à instituição por parte da equipe gestora. O documento também aponta que os principais gastos do hospital estão relacionados ao pagamento de profissionais, à aquisição de materiais e medicamentos.
“A composição dos custos observada no período analisado mostra uma distribuição aderente à realidade operacional de hospitais de médio e grande porte, com predominância dos custos relacionados a pessoal, materiais e medicamentos, sem identificação de distorções sistêmicas que indiquem inadequações estruturais dos custos institucionais”, aponta o relatório.
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O diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, afirmou que unidades de saúde de outros estados recebem repasses maiores para o atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com dados apresentados pela instituição, referentes a 2023, o Hospital Oncológico Infantil do Estado do Pará recebe 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por criança atendida.
Diretor técnico do hospital, Marcelo Martins - Foto: Kauan Sousa/Teresina Diário.
“Quando eu comparo com pares, a diferença é absurda. Quando a gente fala do valor, parece uma soma estratosférica. ‘Ah, o São Marcos já recebe R$ 72 milhões, isso é um absurdo.’ Não, isso não é um absurdo, é o custo do tratamento do câncer. O São Marcos recebe menos que o resto do país. E o São Marcos está com dificuldades financeiras por subfinanciamento”, disse o diretor.
Ainda segundo Marcelo Martins, o Hospital São Marcos realiza cerca de 40 mil atendimentos oncológicos por ano, o que representa uma média superior a 3.300 atendimentos mensais. A instituição está entre as dez que mais realizam procedimentos oncológicos no país.
O diretor também explicou que a suspensão do atendimento a novos pacientes é necessária para garantir a continuidade do tratamento daqueles que já são assistidos pela instituição.
“Nós tivemos que suspender, porque estamos fazendo um esforço gigantesco para ter condições de manter o tratamento de pessoas que já estão aqui. E não existe estrutura no Piauí que tenha 10% da capacidade de atendimento que o São Marcos tem”, afirmou.
Segundo Marcelo Martins, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) já foram comunicadas sobre a situação. De acordo com ele, durante reuniões técnicas com a direção do hospital, os órgãos reconheceram que os recursos atualmente destinados à instituição são insuficientes para a manutenção dos serviços.
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