29 de Junho de 2026- A Primeira Embarcação do Porto de Luís Correia
No dia 29 de junho de 2026, o navio de carga atracou pela primeira vez no Porto de Luís Correia PI. Tal operação marca o início da movimentação de cargas das exportações pela nova estrutura portuária. A embarcação chamada Konta II participou da primeira operação de exportação , com capacidade para transportar cerca de 9 mil toneladas por viagem, o navio levará a carga até uma área de fundeio no mar. A operação contou com apoio de empresas especializadas e acompanhamento da Marinha do Brasil, passando a integrar a logística de exportação do Estado do Piauí por meio de um sistema de transbordo entre embarcações. Um feito histórico
A primeira exportação será o minério de ferro, vindo do município de Piripiri, possivelmente para o mercado chinês. Após o carregamento, a carga seguirá para uma área de fundeio a cerca de 37 quilômetros da costa, onde será transferida para um navio-pulmão, embarcação equipada para armazenar e movimentar grandes volumes de material. Será em um navio de classe oceânica, com capacidade superior a 100 mil toneladas, responsável por realizar a viagem internacional até os mercados da China.
Segundo os especialistas, este sistema de transbordo entre embarcações permite iniciar as exportações sem a conclusão de estruturas portuárias mais complexas, possibilitando, portanto, antecipar as operações e ampliar a capacidade logística do Piauí para o escoamento de cargas. A expectativa é que, além do minério de ferro, outros produtos, como grãos, também passem a utilizar a estrutura nos próximos anos.
Em 13 de dezembro de 2025, o Governador Rafael Fonteles, inaugurou a primeira etapa do Porto Piauí, no município de Luís Correia, recebendo navios da Marinha do Brasil, com autorização do Ministério dos Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), uma espécie de “certidão de nascimento” para o início da sua operacionalização, sendo considerado um marco que promete fortalecer diversos setores da economia do Estado, com previsões de dobar o PIB do Piauí nos próximos dez anos.
O Piauí era o único Estado litorâneo brasileiro sem uma estrutura portuária. A história do porto de Luís Correia foi iniciada com um projeto de construção do primeiro terminal marítimo, ainda nos anos 1960, e as obras foram iniciadas em 1976, com paralisações e falta de estudos de impacto ambiental. Quando foi pelos idos de 1988, a exploração do porto foi objeto de concessão, por 50 anos, ao Governo do Estado do Piauí que, em 1991, subconcedeu a construção e exploração do porto à empresa Inace do Ceara, que ficou cerca de 16 anos sem investir na obra, levando a rescisão do contrato de subconcessão.
No início do atual governo, iniciou-se tratativas com o Governo Federal no sentido de retomar as discussões sobre o Porto de Luís Correia. Pois bem, no dia 13 de dezembro do ano passado, fora inaugurado a primeira etapa do Porto Piaui. A navegabilidade do canal, foi viabilizada, com a chegada de um navio da Marinha ancorado nas margens do citado porto, o que somente foi possível graças à obra de dragagem do canal com quase 3,5 km de extensão e profundidade de 7 metros na maré baixa e de 9 metros na maré alta
Na realidade é um início de um processo, com três etapas, com previsão de construção de vários terminais, quais sejam: terminal de grãos e fertilizantes, terminal de amônia, o que poderá transformar o Piauí um hub mundial do hidrogênio, com a exportação do hidrogênio, o terminal de minério de ferro, e por último, o terminal de cargas e descargas em geral, além da urbanização do local, com o gate de acesso e a construção de um centro administrativo.
Já o terminal pesqueiro, está sendo construído pela Investe Piauí, empresa de economia mista criada pela Lei Estadual nº 7.495/2021, com o fim de incentivar a instalação de indústrias no local, podendo ser o primeiro terminal que vai funcionar, já que suas obras estão em andamento, com uma indústria de conservas, que vai gerar milhares de empregos, com a cadeia produtiva do pescado.
Nos dias de hoje, o transporte de produtos, em especial dos grãos, produzidos nos cerrados do nosso Estado, acontece pelos portos de Itaqui (MA), o que torna o produto inviável, dado o custo do frete terrestre
e Pecém (CE), deixando recursos nestes dois vizinhos Estados. No Maranhão, 35 % do ICMS vem pelo Porto de Itaqui, o que prova a importância de um porto para a economia de um Estado.
O Estado do Piauí, em estudos pela SEFAZ, perde em arrecadação cerca de R$ 300 milhões por ano, e com a inauguração do porto, empresas piauienses poderão exportar e importar produtos pelo litoral do estado, gerando riqueza e trazendo impostos para o Piauí.
Por fim, a importância de um porto marítimo para um Estado da Federação é a sua intermodalidade, a geração de novos empregos, a movimentação de cargas e o fortalecimento do setor de logística no mercado nacional, além de ser indispensável no comercio internacional.
Valmir Martins Falcão Sobrinho
Economista e Advogado





