Mortandade no Rio Poti: solução continua distante

Ricardo Morais
Mortandade no Rio Poti: solução continua distante

Não há nenhuma novidade no resultado da investigação do Ministério Público do Piauí sobre a mortandade de peixes no Rio Poti. A recente investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por meio da 24ª Promotoria de Justiça, detalhou as causas e os impactos da poluição e mortandade de peixes no trecho urbano do Rio Poti, em Teresina. O principal problema continua sendo o lançamento de esgoto sem tratamento no trecho urbano do rio. O que o procedimento fez foi dimensionar tecnicamente os efeitos dessa realidade.


Excesso de esgoto

Segundo o MPPI, a mortandade foi provocada por um processo de eutrofização severa, resultado do excesso de matéria orgânica, fósforo e nitrogênio despejados no rio. O fenômeno favorece a proliferação de aguapés, que passaram a ocupar grandes áreas da superfície do Poti. Embora visualmente apontados como vilões, os aguapés são apenas a consequência mais visível da degradação ambiental. A investigação também aponta outras fontes de contaminação, como ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem pluvial, lançamento de efluentes domésticos e a deficiência da infraestrutura sanitária em áreas periféricas da capital.

 

Aguapés e vida no rio

O diagnóstico mostrou que a cobertura vegetal impede a entrada de luz e reduz a oxigenação da água. Em determinados períodos, especialmente durante a estiagem, o nível de oxigênio cai a patamares incompatíveis com a sobrevivência dos peixes. Análises realizadas próximo à UFPI identificaram índice de oxigênio dissolvido de 4,08 mg/L, abaixo do mínimo de 5 mg/L recomendado para rios de Classe II. O problema se torna pior no período do B R Ó Bró, quando a redução da vazão transforma parte do rio em águas praticamente paradas, criando ambiente ideal para a multiplicação da biomassa aquática e agravando o consumo de oxigênio.

 

Problema sem solução definitiva

Por chegar às conclusões de como o problema se dá e determinado procedimento à Secretaria do Meio Ambiente com a retirada mecânica dos aguapés, o Ministério Público determinou o arquivamento do procedimento, apontando que a retirada mecânica dos aguapés e as ações emergenciais de limpeza ajudam a reduzir os efeitos imediatos, mas não atacam a origem do problema. O próprio MPPI reconhece que a recuperação do Rio Poti depende da ampliação da coleta e do tratamento de esgoto em Teresina.






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