Os becos de minha juventude
Navegar as ruas de Coelho Neto - MA, é em saudades os becos de minha adolescência, as mudanças vieram com o tempo, será o progresso?
A televisão na praça já não existe, o colégio Maria Bacelar, hoje quartel da PM, a União Artística já não enxergamos, silenciou-se o apito da Bipasa, da Itapajé, a Itajubá resiste, mas a passos lentos, o Itapirema, berço de sua fundação, hoje abriga em teu solo os idealizadores e construtores da geopolítica, que, entre lutas e ideias, forjam o desenvolvimento.
Ah, Coelho Neto, quantas lembranças, tento reconstruir as paisagens e becos da minha juventude, miro a igreja matriz de Nossa Senhora Santana, edificada na praça principal, sempre a convidar seus vivos a visitar, rezar e festejar, julho nos espera, os coelhonetenses já prontos para mais um encontro.
Caminhamos rumo ao Bom Sucesso, miro a capela de São Raimundo no alto, mas no casarão e sítio da família Couto, um Mateus com gente a fervilhar, mais adiante o território da igualdade, que agora é roteiro de visita, alguns dos meus já habitam seu solo.
É sábado, o dia avança, pede almoço, vamos ao restaurante de Manoel Messias, que festeja a nossa chegada, ele é um dos colegas de ginásio, encontro outros, muitas alegrias e olhares partilhados, tempos de descobertas e construção.
Seguimos, carro estacionado em frente à nossa antiga casa, hoje habitada por outros moradores, miro a fachada em saudades, navegando por becos chegamos ao Bela Vista, encontro com irmão e sobrinhos, cada a seu estilo a discorrer sobre pai e mãe, quantos momentos vividos e marcantes.
Do alto, deito o olhar, que alcança o rio Parnaíba, artéria que nutre as terras das quais sou filho, o verde encanta, águas de março a nutrir o meu berço de nascimento e alma em saudades, lembro dos banhos no Aranhim, aventuras nas vazantes, do parque de exposição e como esquecer os anúncios na amplificadora do Chico Enfermeiro.
O tempo urge, abraço irmãos, sobrinhos, amigos e rumo à Chapada do Corisco, onde está edificada minha Ítaca, já correndo trecho, ao passar pelo Itapirema, o portal anuncia: “a saudade é a memória do coração”, avançamos e levo esculpido na alma os becos de minha adolescência.
Benjamim Pessoa Vale, 22/03/2026
Médico, Empreendedor Social e Doutor Honoris Causa - UFPI





